Informativo
Faça seu cadastro e receba informativos diretamente no seu email
Nome:
Email:
 

LIBERDADE PARA O PILATES

     Recentemente, alguns donos de academia de Yoga tentaram a aprovação de uma lei segundo a qual só poderia ensinar esse conjunto de técnicas milenares quem tivesse diploma de... Yoga.  No mesmo período, nos EUA, um cidadão tentou patentear o Yoga e, não tendo sucesso, insistiu afirmando que na verdade a “descoberta” que ele tinha feito era uma determinada seqüência de posturas.  Nessa linha de “patentes” e “diplomas”, qualquer dia alguém decide que para tocar na bateria de uma escola de samba é preciso ter feito uma faculdade de música, e assim por diante.

     A questão não é simples, já que existem códigos destinados a proteger as pessoas, mas também existem – nos países sérios, mais do que aqui – doutores “honoris causa”, ou seja, que receberam o doutorado sem necessariamente sequer terem cursado uma faculdade.  Zanine, o fenomenal arquiteto brasileiro, foi muitas vezes processado pelo CREA por exercício ilegal da profissão antes de receber o título de doutor “honoris causa” concedido por uma universidade suíça, antes que a UNB seguisse o mesmo caminho.

 

     São casos excepcionais, é claro.  Mas não se pode aceitar que máfias se formem em nome da defesa de métodos e técnicas terapêuticas com o pretexto de “organiza-las”.  É fácil entender que a verdadeira intenção é que querem se apossar de um “mercado” através do controle dos profissionais que utilizam essas técnicas.  E, como é o hábito, esse tipo de charlatanice é mais comum quando uma determinada técnica está na moda, como ocorre hoje como o Pilates.

     Vejamos um caso recente.  A acupuntura quase passou para as mãos dos médicos.  Os fisioterapeutas se organizaram e venceram.  Na verdade, não deveria ser necessária a formação em fisioterapia para o uso da acupuntura, também uma técnica milenarmente transmitida na China.  Mas, assim ocorreu.  Agora, grupos de fisioterapeutas e professores de educação física querem se “apossar” do método Pilates.

     Os profissionais da área de saúde têm o dever de repudiar essa impostura que só tem finalidades comerciais.  São grupos de pseudo-herdeiros do método que usam, sem o menor pudor, as palavras “certificação” e similares, já que não há como patentear o método Pilates, como certamente gostariam de fazer.

     Alguns colegas ficam perdidos, sem saber para onde ir e em quem acreditar.  E os pacientes que buscam no método um alívio para os seus sofrimentos ou um caminho para a melhoria da qualidade de suas vidas ficam ainda mais desorientados.

Então, vamos esclarecer algumas coisas.

1 – O método Pilates é uma ginástica.  É método por que Pilates organizou os movimentos em seqüências específicas.  Seqüências que agora estão sendo modificadas e não ensinadas com pretexto  de que há uma “evolução” do método.  Na verdade, toda mudança pode ser considerada uma “evolução”, ainda que não necessariamente para melhor.  Mas daí a tentar as mudanças apenas porque Pilates é um nome que VENDE vai uma grande distância.

2 – Qualquer profissional da área de reabilitação ou do treinamento físico pode utilizar o método Pilates ou o seu nome de forma livre, desde que se interesse pela compreensão de seus fundamentos gerais.  Ninguém é dono desse tipo de conhecimento.  E Pilates foi considerado pela Justiça norte-americana como um nome genérico, semelhante ao karatê ou ao judô. Decisão no Processo entre a Romana Kryzanowska e a Phisiopilates.

3 – Ninguém precisa de autorização de franquias americanas ou de qualquer outra  para trabalhar com o método Pilates.  Há que reagir a qualquer tentativa de “dominação” do método.

4 -  Ninguém precisa se associar  a nada para executar os exercícios de Pilates.  Já fizemos uma faculdade e não será uma associação ou um grupo qualquer que vão nos dar mais credibilidade. Repudiamos veementemente tal tentativa, e convocamos todos os profissionais a evitar tais grupos. Lembro ainda que é de bom senso fazer um bom curso sobre o Método desde que não fiquemos amarrados a quem quer que seja.

5 -  Qualquer conselho profissional que manifeste apoio a cursos específicos sobre o método Pilates deve ser considerado suspeito.  Quem certifica, avalia ou autoriza cursos no Brasil ainda é o MEC.  Então desconfie quando um curso tiver apoio de conselhos profissionais.  Essas manifestações podem ser utilizadas para mascarar relações pessoais ou comerciais.

6. – Analise o conteúdo programático de cada curso e se o currículo dos professores é compatível com o seu tempo de formado. Faça uma pesquisa se o currículo dos ministrantes é verdadeiro! Lembre-se! Internet aceita tudo.  Solicite o telefone de alguns alunos para obter informações sobre a qualidade dos cursos. Se quem organiza o curso der alguma desculpa para não fornecer esses contatos, desconfie.  Qualquer aluno quando faz um bom curso tem orgulho do que aprendeu.

7 – Desconfie de cursos que tentam juntar varias técnicas terapêuticas e de treinamento ao nome Pilates.  Eles só fazem isto para tentar anexar formações distintas com objetivos comerciais! Por exemplo, Pilates e RPG,  Hidropilates, e por aí afora. Cuidado com ensinamentos sobre Pilates em patologias, tipo Pilates nas algias .... ou nos transtornos disso e daquilo.  Para ser uma técnica terapêutica aceita há que se ter comprovação cientifica.  O código de ética do CREFITO é claro sobre isto no Art. 8º, Inciso XXVI.  É proibido ao fisioterapeuta e ao terapeuta ocupacional, nas respectivas áreas de atuação “divulgar terapia ou descoberta cuja eficácia não seja publicamente reconhecida pelos organismos profissionais competentes”.  Os cursos que fazem isto estão agindo contra a ética.

8 – Não aceite aprender o método Pilates de forma dividida para fisioterapeutas ou para professor de educação física.   Pilates não criou dois métodos, mas somente um, indivisível. Depois que você aprender o Método Original, você é que decide como usa-lo - você estudou para isso.

9 -  Desconfie de cursos que tentam justificar modificações no método sob a alegação de que Pilates não tinha conhecimentos modernos.  Pense!  Se ele criou e é sucesso hoje, como alguém pode falar tal coisa.  Devemos, sim, usar nossos conhecimentos atuais para compreender o método. O fato de uma pessoa ter vivido no século passado não significa que seja mais ou menos inteligente do que nós.  Hoje temos mais informações e de forma mais rápida.  Eles tinham que criar!  Um mestre Yoga do século XII não sabia necessariamente MENOS do que um contemporâneo por não dispor dos “conhecimentos modernos”.

10 – Quais as seqüências originais dos aparelhos no método Pilates?   Essa é a pergunta central antes de iniciar qualquer curso.  Procure verificar se estão corretas.  Duvidas, entre em contato conosco.

11 – Pilates não é uma ginástica “zen”. Pelo contrário, Pilates é bem puxado no seu treinamento, ainda que de forma gradativa.

Sejamos independentes de grupos. Sejamos únicos e unidos pelo ideal do bom trabalho. O bom profissional não precisa se esconder por trás de grupos ou franquias.  Não adianta pertencer a times para ter a impressão de maior segurança e na hora de tratar o paciente ficar perdido sem saber o que fazer.  O conhecimento e a experiência é que fazem a diferença.  Desconfie sempre dos discursos inflamados e “politicamente” corretos. Ninguém é dono da verdade. Por não haver verdades absolutas é que a humanidade evolui.

Prof. Sérgio Ribamar.



Produzido por DNA Design® - 2005